domingo, 4 de outubro de 2009

Wii é bom exercício? Certo: conta outra

Wii é bom exercício? Certo: conta outra


segunda-feira, 7 de janeiro de 2008
por
Pedro Doria*
Só em novembro último, portanto antes do Natal, a Nintendo vendeu 1,5 milhões de consoles Wii em todo o mundo. O excesso de demanda é um problema: a empresa japonesa não sabe se conseguirá atender a todos os pedidos. Embora a Nintendo não fale, um dos atrativos do Wii é que ele é um bom exercício físico. Mas será mesmo?
Uma pesquisa médica pelo menos diz que não.

O professor Gareth Stratton e sua equipe, na Universidade John Moore, de Liverpool, Inglaterra, puseram seis meninos e meninas com entre 13 e 15 anos para jogar com o Xbox 360, da Microsoft, e o Wii. O primeiro é um game tradicional, com joystick com controles direcionais e botões. O segundo, é este inovador, no qual os controles percebem movimentos e o jogador se mexe conforme o esporte que esteja simulando.

O estudo do professor Stratton, já publicado no British Medical Journal, informa que a diferença é, bem, quase nenhuma. Uma hora jogando num, uma hora jogando noutro, e a turma que estava lá se mexendo toda com o Wii gastou 60 quilocalorias a mais. Em termos comparativos: 2% mais gasto energético do quem estava sentado jogando o game da Microsoft.

Sessenta quilocalorias não é nada. Um Big Mac - só o sanduíche, sem contar batatas e refrigerante - tem 540kcal. Uma barra de cereal magra, tem 90kcal. Trinta minutos de uma corrida leve queima 500kcal; de bicicleta, lá se vão umas 350kcal. Uma caminhadinha de nada já leva do freguês suas 250kcal na mesma meia hora.
Quer dizer: Wii não é esporte. Não tem jeito.

Não que a Nintendo diga isso. Ela apenas dá a entender. Um dos grandes perigos de nossa cultura digital – seja ligada à tevê, seja ao computador – é que vamos ficando mais sedentários. E, diga-se, cá o colunista não tem nada de inocente neste quesito. É um passo um tanto mais perigoso, no entanto, acharmos que um videogame pode resolver o problema.

Tenho um amigo que comprou o Wii – é seu primeiro game. Como eu, nunca pôde se vangloriar muito da coordenação motora entre botões e alavancas para matar cada monstro que aparecesse pela frente. Com seu Wii, veio o pacote de games Wii Sports: tem tênis, beisebol, boliche, golfe e box. Ele joga tênis todo dia contra o computador. Diz que sua à beça em cada partida. Talvez.

Foi justamente o pacote Wii Sports que a equipe britânica testou. Não adianta que não dá certo. Não é a mesma coisa que correr de um lado para o outro na quadra de saibro, vencendo o atrito com esforço, pôr força na raquete para lançar a bola contra o adversário que daí de presto e atento carece tornar ao outro canto da quadra na rebatida. Dum saque bem disputado, bobeou, gasta-se mais energia do que numa meia hora de tênis virtual.

Que ninguém culpe a Nintendo por tentar. Muitos críticos especializados sugerem que, como está, o Wii é apenas primeira geração. Ficará cada vez mais ativo e a simulação esportiva se aproximará paulatinamente do real.

Um dos pacotes que está para chegar ao mercado é o Wii Fit. Ele complementa o console tradicional com uma plataforma na qual o jogador fica em pé. Ela mede o peso, calcula o centro de gravidade e, acaso lhe seja oferecida a altura, chega também ao índice de massa corporal. Daí, na plataforma, o game orienta enquanto o sujeito faz flexões de braço, movimentos de ioga e até alguma corrida. Parado no lugar, claro.

Wii Fit ainda não foi testado – então não dá para dizer se é, como exercício, um fiasco tão grande quanto Wii Sports. Talvez não, mas ainda assim é marketing. Serve para que uma geração sedentária se senta menos culpada de seus pecadilhos digitais.

Não precisava nada disso. Wii é revolucionário e permite que até gente como eu consiga jogar um game.
Agora, bom mesmo é aproveitar que é verão, lançar o iPod aos ouvidos e dar um giro pela praia. O mundo pode estar se digitalizando, mas isso não tem nada de incompatível com uma vida ao ar livre.

pedro.doria@grupoestado.com.br
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