domingo, 4 de outubro de 2009

O lado negro do Google


Superbuscador completa dez anos de sucesso entre críticas e ações judiciais

EMERSON KIMURA
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

"Don't be evil", não seja mau. Esse é o lema corporativo adotado pelo Google, que promete no seu código de conduta "fornecer aos nossos usuários acesso imparcial a informação, focar em suas necessidades e dar-lhes os melhores produtos e serviços que pudermos". O lema "é também sobre fazer a coisa certa de um modo mais geral -a seguir as leis, a agir com honra, a tratar aos outros com respeito".
Mas será a maldade algo mensurável? Para o Google, sim -pelo menos quando entram em jogo certos interesses. "Nós fizemos um escala de maldade e decidimos que não fornecer nada seria um mal pior", disse Eric Schmidt, chefe-executivo da empresa, em 2006, a respeito do fornecimento do serviço na China, onde o buscador aceitou adotar restrições impostas pelo governo do país .
No próximo domingo, o Google completa dez anos de sucesso e polêmica, com incontáveis -mais de cem- intimações e processos judiciais.
Em abril, um casal de Pittsburgh (EUA) acusou o Google de invasão de privacidade após sua casa, que fica em uma rua particular, aparecer no Street View, recurso que exibe seqüências de fotografias de várias localidades em 360º no nível do solo. Não foi o primeiro caso do tipo -há relatos de imagens de homens saindo de casas de strip-tease ou enfiando o dedo no nariz.
A solução dada pelo Google: o interessado deve solicitar a remoção da imagem por meio de ferramenta do próprio site. Ou seja, quem não queria aparecer no mundo exposto pela empresa precisava avisá-la disso, já que ela agia como se todos quisessem dar as caras. Os incomodados que se retirassem.
Em 2002, Daniel Brandt, um voraz crítico do Google (por interesses pessoais, há quem diga), já questionava o rastreamento de informações dos usuários -como termos pesquisados, datas e número do IP do usuário.
O Gmail e outros produtos aumentaram consideravelmente a quantidade de informações pessoais armazenadas pelo Google, e a oferta pública de ações levantou dúvidas sobre o que a companhia poderia fazer com esses dados a fim de maximizar seus lucros para agradar seus investidores.
No ano passado, a ONG Privacy International classificou 23 empresas de acordo com suas práticas em relação à privacidade. Apenas o Google atingiu o nível mais grave. Apesar de tantos apelos, foi somente em julho deste ano que o Google colocou um link na página principal do site para o seu Centro de Privacidade.

Outro lado
"Não conseguimos antever todos os problemas, debates éticos e filosóficos" que um produto poderá causar, diz Felix Ximenes, diretor de comunicação do Google Brasil. "Qualquer empresa que investe em tecnologias novas vai se deparar com problemas."
E, quando a discussão ocorre, o Google não fica parado, diz ele, dando o exemplo do Street View, que agora tem um software que automaticamente borra o rosto das pessoas e a placa dos carros fotografados. De fato, nos testes da Folha foi difícil achar esses elementos com nitidez.
O diretor diz que não é preciso se preocupar com os cookies, pois eles são utilizados apenas para melhorar as buscas do usuário. Para ele, toda essa preocupação com a privacidade é "justificável", mas as pessoas podem ficar tranqüilas quando a empresa é "séria".
Quanto às acusações de violação de direitos autorais por meio da busca de textos de livros, Ximenes explica que as obras são disponibilizadas pelo Google apenas após acordo com os donos dos direitos.

CONSPIRAÇÃO
"Master Plan" (masterplanthemovie.com) é um filme "sobre o poder do Google"; dirigido por Ozan Halici e Jürgen Mayer, foi baseado no livro "The Google Story", do jornalista David Vise

 Leia Mais  http://www1.folha.uol.com.br/fsp/informat/fr0309200828.htm



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