sábado, 17 de outubro de 2009

O que precisamos saber sobre os GPS

Guia de compras - GPS

Marco Aurélio Zanni, de INFO Online

Você cansou de se perder andando de carro por aí e decidiu que um GPS pode ser a salvação da sua vida? Para não sofrer com equipamentos meia boca, hardware ruim e até aqueles chatos comandos em português lusitano, dê uma olhada neste guia rápido com detalhes sobre a tecnologia e dicas para não tomar um chapéu na hora de comprar um navegador.

Como funciona

Como acontece de forma recorrente no mundo da tecnologia, foi para fins militares que surgiram os satélites de GPS (Sistema de Posicionamento Global). Em 1973, o Departamento de Defesa dos Estados Unidos mandou para o espaço uma rede com 28 satélites chamada NAVSTAR, na foto aí ao lado. Até hoje, cada um desses equipamentos circunda a Terra duas vezes por dia, enquanto cinco estações vistoriam localização e funcionamento deles.
Para que um navegador saiba quais são suas coordenadas, ele precisa receber o sinal de, pelo menos, quatro satélites. O receptor calcula a distância que o aparelho está de cada um desses objetos espaciais para determinar sua própria posição. Por esse motivo, fica difícil receber o sinal em lugares cheios de prédios ou árvores ao redor. Nuvens carregadas também são capazes de deixar o seu GPS veicular totalmente cego.
Até o ano 2000, o governo americano usava aparelhos para induzir os receptores a um erro de precisão de 90 metros, jogando uma espécie de interferência, justamente para possíveis inimigos não usarem a tecnologia. Mas, nessa época, o presidente Bill Clinton assinou uma lei determinando o fim dessa medida, o que garantiu a difusão do sistema para uso nos navegadores pessoais. Os equipamentos de hoje têm receptor de 20 canais, uma antena e um processador. A informação com o posicionamento vai para um software que transforma tudo em comandos de voz e mapas, indicando o caminho ao motorista curva a curva.
|quebra|

Como usar

Antes de sair dirigindo por aí com seu co-piloto virtual, é bom dar uma olhada em casa mesmo no caminho que você vai fazer. Perder cinco minutos planejando a rota pode ser a melhor forma de evitar passar por ruas congestionadas e locais perigosos. Ao colocar o carro na rua, o ideal é esperar alguns segundos até o GPS encontrar o sinal dos satélites, pois isso é mais demorado quando o veículo está em movimento.
Quando o aparelho é ligado pela primeira vez, é necessário esperar de dois a três minutos, pois há um volume grande de informações a ser processado. Nas próximas vezes, os bons produtos demoram poucos segundos para ficarem aptos ao uso, a menos que esteja chovendo. Após digitar o endereço do destino, é preciso escolher o tipo de rota. Evite selecionar a opção “caminho mais rápido” em horários de pico, pois assim o GPS fugirá das grandes avenidas. O melhor é escolher “caminho mais curto" e ir pelas vias alternativas. Apenas tome cuidado, pois o navegador não identifica se uma rua é segura ou não.
A melhor dica para quem nunca usou um navegador é: nunca confie 100% nele. Essa tecnologia ainda é nova no Brasil, portanto nem todas as regiões estão mapeadas corretamente. Mesmo cidades médias do interior de São Paulo, por exemplo, ainda não fazem parte do banco de dados de alguns mapas. Além disso, os sentidos das ruas mudam demais. De um dia para outro a prefeitura de Piraporinha pode decidir mudar o fluxo de uma avenida. A única certeza é que seu aparelho sempre estará defasado.
|quebra|

O que levar em consideração na hora da compra?


Hardware

A maioria dos navegadores vendidos no Brasil tem componentes parecidos. O GPS automotivo costuma usar processador de 300 ou 400 MHz. O chip mais utilizado é da marca Samsung. Processador bom, aliado a um receptor de qualidade, assegura cálculos rápidos de rota. Quando você erra o caminho, o tempo gasto para refazer a rota também é menor. As antenas costumam ser SIRF Start III, com potência mais baixa que a dos equipamentos profissionais, mas suficientes para andar pela cidade. Se, por azar, seu aparelho tiver sinal ruim, é possível colocar uma antena externa por cerca de 100 reais. Por fim, os mapas geralmente ficam instalados num cartão SD de 1 GB.

Mapas

É difícil notar muita diferença entre os mapas disponíveis no Brasil. Quase todos têm a mesma cobertura (cerca de 250 cidades), usam as bases de dados fornecidas por NAVTEQ ou TeleAtlas. Porém, muitos navegadores vendidos por aqui têm mapas de outros países. Se você vive viajando para Europa ou Estados Unidos, vale dar uma conferida. Caso contrário, vale mais a pena alugar no exterior um GPS, juntamente com o carro.
Só é bom prestar muita atenção na data de lançamento do mapa. Em geral, os fornecedores costumam fazer atualizações uma vez por ano. Na hora da compra, veja também se a empresa atualiza sua base gratuitamente por algum tempo. No caso da TomTom, os usuários formam uma comunidade e modificam os mapas aos poucos, à medida que vão encontrando problemas. Aí basta conectar o GPS ao computador para receber o conteúdo online.
Alguns modelos vendidos no Brasil estão começando a vir com mapas em terceira dimensão, como o Airis T945 da foto acima. Eles são bonitos e permitem que o motorista tenha uma ideia de qual é o relevo das ruas. Esses sistemas também exibem desenhos em 3D dos pontos turísticos ou prédios comerciais mais importantes da cidade. No entanto, pouco se investiu no país, por enquanto, para a produção desse tipo de conteúdo.
|quebra|

Menus

Os programadores que criaram os aplicativos de navegação deveriam fazer um curso de arquitetura da informação. Em geral, as interfaces são pouco intuitivas. O melhor é escolher algum aparelho com botões grandes na tela touch screen e teclado virtual completo, que seja possível de usar sem a canetinha. Dois sistemas já avaliados pelo INFOLAB merecem destaque pela facilidade de uso: TomTom, da foto ao lado, e Nav N Go.

Tela e design

Há dois tamanhos de tela consagrados: 3,5 e 4,3 polegadas, cada um com suas vantagens e desvantagens. Os menores dificultam a visualização dos mapas. Digitar textos sem a canetinha às vezes também é um sacrifício. No entanto, eles cabem no bolso da camisa. Já uma tela grande facilita a visualização e o planejamento da rota. Em contrapartida, chama a atenção de assaltantes no vidro do carro.
Outra coisa importante é ficar ligado na sensibilidade da tela. Em alguns minutos na bancada da loja você consegue perceber se o produto é bom nesse sentido ou não. De preferência, a tela do GPS deve ser fosca. Os displays brilhantes podem até ser mais vistosos, mas quando bate o sol, aparecem muitos reflexos. Um exemplo ruim é o modelo Explorer 2, da Multilaser, mostrado na foto ao lado. Também é bom girar o aparelho em todas as direções para ter certeza de que você consegue ler as informações de qualquer ângulo.

Comandos de voz

Atualmente já é raro, mas ainda é possível encontrar navegadores com locutores lusitanos. Preste atenção nisso e procure um GPS com suporte a text-to-speech. Com essa tecnologia, o narrador consegue ler o nome da rua e dizer, por exemplo, “vire à direita na Avenida Paulista”, em vez de “vire à direita em 200 metros”.
|quebra|

Dá pra fugir do trânsito?

Começaram a surgir este ano os primeiros navegadores no Brasil aptos a receber informações de trânsito em tempo real, como o Traffic C520, do Guia Quatro Rodas. Uma empresa fornece os dados, que são enviados por FM. Porém, mesmo com um receptor assim, não é garantido que você vá conseguir fugir das ruas congestionadas. Por exemplo: se você estiver na dúvida entre pegar a Marginal do Tietê ou a Avenida 23 de Maio, sempre congestionadas em horários de pico, o GPS não ajuda muito. Isso porque ele não possui um sistema para saber qual das duas está “menos pior”. Veja como o sistema funciona no vídeo abaixo.


O que mais

Se você tem iPod, smartphone e mais um monte de gadgets, dificilmente vai achar alguma utilidade nos recursos de entretenimento oferecidos pelos navegadores. Como a tela não tem qualidade espetacular, assistir vídeos é uma experiência ruim, na maioria desses aparelhos. Player de MP3 também não faz muito sentido, a menos que o navegador tenha também um transmissor FM. Com ele, é possível tocar as músicas numa frequência livre do rádio enquanto você está no carro.

GPS no celular vale a pena?

Com a grana que você gasta num navegador, é possível comprar um smartphone de primeira, incluindo receptor GPS e software de navegação. Se o celular tiver os mapas armazenados na memória, provavelmente será tão bom quanto um aparelho dedicado. Um exemplo é o Nokia 6110 Navigator da foto ao lado. Os celulares costumam ter também um sistema A-GPS, que usa conexão de dados para receber dados de suporte. Na prática, isso ajuda o aparelho a definir sua posição mais rapidamente.
Agora, se os mapas precisarem ser baixados sempre da web, a navegação será mais lenta e você vai gastar uma grana com plano de dados. Em geral, é preciso pagar uma licença para usar o programa por alguns meses. Um exemplo é o Nokia Maps. Alguns celulares que não têm antena para receber o sinal GPS são compatíveis com antenas externas. Existem acessórios como o Nokia LD-3W e o Motorola T815 para isso. Eles custam entre 300 e 500 reais. Aí basta comprar um software de navegação para o smartphone.
>> Veja os melhores navegadores já avaliados aqui em Reviews.
>> Tire dúvidas e discuta sobre GPS no Fórum INFO.
Reações:

0 comentários: