sábado, 3 de outubro de 2009

Londrina, a cidade de madeira


Casas da cidade foram ornamentadas com elementos nipônicos
Giedre Moura
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Kumata e sua casa, construída pelos antigos mestres
Rafael Mayrink Goes/AE
Kumata e sua casa, construída pelos antigos mestres
SÃO PAULO - Nos anos 1940, Londrina era uma cidade de madeira. Explica-se: com a derrubada das árvores para a expansão da agropecuária, matéria-prima não faltava. E a chegada dos imigrantes japoneses, muitos deles mestres da carpintaria, tradicional ofício no Japão, só veio a facilitar a construção desse tipo de residência.
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As casas foram ornamentadas com elementos nipônicos, como a ranma, um enfeite rendilhado de madeira. E ganharam espaços típicos das construções japonesas, caso da varanda cerimonial e da guenkan, onde os visitantes deixam os sapatos antes de entrar.

"A pré-numeração de peças e os vários encaixes fizeram surgir a lenda de casas sem pregos, construídas em instantes", conta o arquiteto Humberto Yamaki, professor da Universidade Estadual de Londrina (UEL).

Com a alvenaria e a modernização das residências, as construções típicas dos imigrantes foram derrubadas e hoje são raras na cidade. O arquiteto agora se esforça para salvar o que ainda sobrou dessas residências. Tanto que uma das casas tradicionais será desmanchada e remontada no câmpus da universidade, aumentando o acervo que vem sendo organizado pelo professor sobre essa intrincada arte japonesa.

Yamaki já conseguiu recolher inúmeras ferramentas dos antigos mestres carpinteiros. Entre as peças estão o nokoguiri, o serrote, e a tyouná, desbastador de madeira, que tem o sentido de corte oposto ao das ferramentas ocidentais. "Dizem que o número de ferramentas utilizadas pelos carpinteiros chegava a 180", explica Yamaki. "Essas ferramentas foram essenciais na adaptação de técnicas milenares japonesas, baseadas em complexos encaixes."

Original

A vizinha cidade de Assaí ainda exibe algumas residências construídas pelos carpinteiros japoneses. Uma delas pertence ao dentista Yukio Kumata, de 74 anos. "Há, tempos, teve uma lei que garantia isenção de IPTU para quem mantivesse a fachada original", conta Kumata. "Hoje, isso não existe mais, mas resolvi manter a casa assim. É mais bonito."

fonte: Estadão sábado, 5 de janeiro de 2008, 14:50
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