sábado, 3 de outubro de 2009

Ameaça virtual

 Especializada em combate à pirataria e ao desrespeito autoral, empresa inglesa fatura ao policiar a rede; entre clientes estão Prince e Prodigy

BRUNA BITTENCOURT
DA REPORTAGEM LOCAL

John Giacobbi é uma espécie de segurança on-line de uma longa e respeitável lista de artistas, que o contrata para defendê-los dos perigos da internet hoje.
O advogado é o homem por trás da Web Sheriff, empresa inglesa especializada na proteção e policiamento de direitos autorais na web e no combate à pirataria, da qual muitos músicos são vítimas.
Em janeiro, a banda Franz Ferdinand contratou a empresa para combater o vazamento do seu disco mais recente, "Tonight". Já Prince pediu a ajuda do xerife para tirar do ar milhares de vídeos não autorizados de uma série de shows que fez em Londres, em 2007. Recentemente, a empresa procurava reprimir na internet a ação de cambistas dos shows que Michael Jackson realizaria em julho. A lista de clientes da Web Sheriff inclui ainda gravadoras, estúdios de cinema, celebridades, editoras de livros e jornais.

Prodigy
Filho de um influente empresário de músicos, Giacobbi, 42, advogou para grandes gravadoras e trabalhou para a Entertainment Law Associates. Um dos clientes da associação inglesa de advogados de entretenimento era o grupo Village People, que enfrentava problemas com pirataria e com bandas que se faziam passar por ele. "Disse para eles contratarem um serviço de monitoramento para acompanhar essas questões, mas ninguém estava oferecendo isso para a indústria da música e do entretenimento. Então decidi montar a empresa", conta Giacobbi em entrevista à Folha.
A Web Sheriff conta com 20 funcionários em seu escritório em Londres, entre experts em internet e advogados especializados em direito autoral. Os serviços custam de R$ 6.000 a R$ 60 mil por mês. "Muito do nosso trabalho é secreto e feito nos bastidores", diz Giacobbi. Hoje, o maior filão da empresa londrina é evitar com que discos se espalhem pela rede antes de seu lançamento.
Um dos seus últimos trabalhos foi conter o vazamento de "Invaders Must Die", do Prodigy, lançado em março. "Ainda que ele tenha vazado cedo, conseguimos conter isso, o que não afetou as vendas do álbum. Na semana em que ele foi lançado, vendeu mais que o dobro do álbum que estava no segundo lugar da parada."
Giacobbi defende que o único jeito de fazer isso com sucesso é policiar a internet 24 horas ao dia. É preciso remover arquivos piratas de sites e blogs e excluí-los das redes de troca; patrulhar YouTube, MySpace, eBay, Facebook e outros sites, com quem a empresa tem contratos e boa proximidade.
O advogado acredita que teria sido possível, por exemplo, conter a proliferação de "X-Men Origens: Wolverine", em abril, um mês antes de sua estreia. "O segredo é capturar o vazamento o mais cedo possível. Se isso acontece nas primeiras 48 horas, qualquer vazamento pode ser revertido. Mas existirá sempre novos arquivos piratas, que precisam ser removidos."
A Web Sheriff já fechou sites da China ao Brasil, mas, por questões contratuais, não revela quais são seus endereços. Giacobbi conta apenas que os endereços brasileiros estavam hospedando música pirateada. "Nós só fechamos sites como uma última alternativa. Primeiro, pedimos que eles removam os arquivos ilegais." Se não é atendida, a empresa lança mão de outros recursos, como denunciar o site ao seu provedor de hospedagem. O último passo é levar o caso à corte.
Em meio à sua política repressora, e por vezes polêmica, Giacobbi acredita que a legislação relacionada a direito autoral e marca registrada na internet pode ser aperfeiçoada.
"É preciso ter informações sobre a identidade de todos os donos de sites", diz, cobrando mais cuidado por parte dos provedores de hospedagem. "Assim como as pessoas sabem que não se pode sair de uma loja sem pagar pelos CDs, o mesmo se aplica à internet", diz.


São Paulo, segunda-feira, 20 de julho de 2009
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