sábado, 3 de outubro de 2009

Como se comportar numa entrevista

Análise de reações corporais é útil em ambiente de trabalho


Linguagem não verbal pode mostrar desconforto ou satisfação do interlocutor em reuniões e entrevistas
CHIAKI KAREN TADA
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Um mero erguer de sobrancelhas ou um enrugar dos lábios significam mais do que uma ação involuntária. Podem demonstrar se o interlocutor gosta ou não do que está ouvindo -informação útil em situações profissionais.
Mais da metade do impacto das mensagens vem dos sinais não verbais, afirma a especialista em comportamento social e comunicação Judi James no livro "Linguagem Corporal no Trabalho - Como Usar os Sinais Não-Verbais para Alavancar Sua Carreira", da editora Best Seller (336 págs., R$ 34,90).
Parecer interessado na conversa e evitar gestos que indiquem desconforto, diz James, ajuda quem quer se projetar no trabalho, pois transmite segurança e atenção (veja quadros baseados no livro de James nesta e na próxima páginas).
Boa parte dos gestos é inconsciente -quem rói a unha de nervosismo ou tamborila os dedos porque quer terminar a conversa faz isso sem perceber.
Empatia
De forma sutil, a linguagem do corpo ajuda a perceber se o colega está distraído. E os outros também notam se o profissional está confiante ou se quer se esconder debaixo da mesa.
Esse tipo de conhecimento atrai quem precisa lidar com clientes e equipes internas, criando empatia com eles para que a conversa possa fluir.
Sérgio Ribeiro da Cruz, 32, gerente de relacionamento da Medical Systems (soluções em tecnologia da informação para a área de diagnósticos médicos), resolveu estudar técnicas para melhorar fala e expressão depois de perceber, durante uma apresentação, que havia pessoas desatentas.
Em um curso feito no Instituto Cláudio Ayabe, aprendeu, junto com técnicas para melhorar a fala, que era preciso olhar nos olhos dos espectadores, movimentar as mãos sem ser espalhafatoso e andar pelo palco, "[mas] sem parecer uma bolinha de pingue-pongue".
Ele pratica a comunicação não verbal também com colegas e superiores. "Se falo algo que merece um sorriso como resposta, é um bom sinal."
A empresária Marie Claire Bijoux, 32, que trabalha com produtos de inox para cozinha, foi atrás de dicas para melhorar a comunicação nos negócios e fez um curso na SBPNL (Sociedade Brasileira de Programação Neurolínguística).
Além de reparar no tom de voz, atenta no movimento dos olhos, na postura e nos gestos do interlocutor, para se ajustar. "Abrir uma negociação [com o cliente] é o principal."
Para que o profissional obtenha melhoras na sua linguagem corporal, Judi James sugere que a pessoa realize uma autoavaliação -desde o jeito do corpo até a expressão do rosto quando não está fazendo nada.
A partir dessas mensagens, sugere a autora, ele pode trabalhar a imagem que quer passar.
Vigor sobre a mesa
Para demonstrar energia ao participar de uma reunião, deve-se inclinar o corpo pra frente, colocar mãos ou braços sobre a mesa e olhar para todos. Acenos de mão que denotem desdém devem ser evitados.
Isolado do grupo
Quem se afasta do trabalho em equipe dá sinais disso nas reuniões, usando um linguagem defensiva: cruza os braços, senta-se longe dos outros ou ao fundo e passa bilhetes para uma só pessoa.
Em busca da vaga
Na entrevista, o corpo deve esta encostado na cadeira, e as mãos, colocadas sobre o colo. Deve-se fazer esforço para não parecer mais infomal que o entrevistador e olhar para ele ao ouvi-lo.
Indício de aflição
Quem se sente desconfortável “afunda” na cadeira, morde a caneta ou toca o pescoço (em busca de conforto). Ele também olha para o chão ou em volta, com quem busca uma saída.
Ao fazer vendas
Tirar o paletó sem consultar o cliente inclinar a cabeça para trás e cruzar as penas com o tornozelo apoiado na coxa, assim como rir de forma exagerada, passam a impressão negativa de querer mostrar-se superior.
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