sábado, 13 de março de 2010

Celula de combustível - Bateria em teste promete limpar matriz energétic

a Criada por empresa dos EUA, célula a combustível já é utilizada em empresas

Aparato emite metade do CO2 de uma usina térmica; seu criador, um engenheiro indiano, diz que ele livrará consumidor de distribuidora


Paul Sakuma - 24.fev.10/Associated Press

Sridhar exibe gerador de energia feito pela Bloom para a e-Bay

RICARDO MIOTO
DA REPORTAGEM LOCAL

Trabalhando por oito anos em uma sede sem nenhuma placa do lado de fora no Vale do Silício, celeiro tecnológico americano, uma empresa criou um gerador que oferece energia menos suja e pode, no futuro, livrar consumidores residenciais das distribuidoras de luz.
Por enquanto, a máquina que a Bloom Energy desenvolveu está em utilização em grandes empresas como o Google e na sede do Wal-Mart, conforme K.R. Sridhar, o indiano que preside a empresa, anunciou duas semanas atrás. Trata-se de uma nova célula a combustível, apelidada de Bloom Box -basicamente, uma bateria, só que abastecida continuamente com etanol, gás natural ou metano.
Essas células liberam energia quebrando os combustíveis em água e gás carbônico -têm impacto, portanto, no efeito estufa. Mas, não fazendo combustão como um gerador tradicional (um processo que desperdiça muita energia), têm uma eficiência muito maior, emitindo apenas metade do CO2 que emitiria uma usina termelétrica tradicional para produzir a mesma quantidade de energia.
A quebra dos combustíveis, entretanto, não acontece com facilidade. É necessário que a temperatura interna do equipamento chegue a 800C.
"A essa temperatura, a célula é mais eficiente, as reações são rápidas. O problema principal é que a engenharia de materiais tem de ser bastante particular. Imagine a célula a 800C. Aí você desliga. Depois volta a ligar, e a temperatura sobe novamente. O grande obstáculo era conseguir materiais resistentes a isso. Nesse sentido o trabalho dessa empresa é empolgante", diz Fábio Lima, químico da USP em São Carlos.
A Bloom Energy criou desde pequenas células, que cabem em uma mão e acendem uma lâmpada, até geradores maiores do que um carro, que suprem um andar inteiro de escritórios. Para isso, gastou mais de US$ 400 milhões em pesquisa. O dinheiro veio de fundos de investimento de risco, que frequentemente financiam projetos no Vale do Silício. Entre os acionistas da empresa está o ex-secretário de Estado dos EUA Colin Powell.
Sridhar quer que as células a combustível criadas por ele possam oferecer energia a residências. Ele comparou a Bloom Box aos computadores, que começaram em grandes empresas e depois, aos poucos, invadiram as residências.
Os especialistas acham que células a combustível podem, no futuro, assumir uma fatia importante da produção mundial de energia, conforme seu custo for se reduzindo.
Por enquanto, não passa de promessa: segundo a revista Forbes, cada quilowatt de capacidade da Bloom Box custa de US$ 9.000 a US$ 10.000, contra US$ 2.000 a US$ 5.000 da energia solar fotovoltaica, ela mesma considerada cara.
"O potencial é grande. Vai depender dos lobbies das petrolíferas e das políticas governamentais", diz Marcelo Linardi, engenheiro químico do Ipen (Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares).

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