domingo, 27 de setembro de 2009

O segredo por trás das baterias de notebooks

São Paulo, segunda-feira, 13 de julho de 2009



 
Quando o assunto é o tempo de funcionamento das baterias de notebooks, é preciso levar em conta um detalhe importante: que as medidas de tempo divulgadas pelos fabricantes geralmente guardam pouca relação com a realidade: "até cinco horas", por exemplo.
"Até" não passa de uma desculpa. Meu notebook é capaz de funcionar até mil horas com a bateria! "Até tantas horas" significa apenas "alguma coisa abaixo desse número". Isso importa, porque o tempo de duração das baterias vem se tornando um quesito importante na venda de laptops.
Outras indústrias fazem a mesma coisa, certo? Errado. Em 2003, os fabricantes de câmeras digitais tinham um problema semelhante. Cada um anunciava o tempo de vida das baterias de suas câmeras em termos exagerados. Cada empresa tinha seu protocolo próprio de testes, e nenhum deles era representativo.
A Associação de Câmeras e Produtos de Imageamento dos EUA (Cipa) criou então um teste padronizado para medir a duração das baterias. Hoje, todas as câmeras são testadas e anunciadas da mesma maneira. E os números divulgados correspondem à realidade.
Mas laptops são mais complicados. Há muito mais fatores em ação que determinam o tempo de funcionamento das baterias: o que você faz no laptop, o brilho maior ou menor da tela, os elementos sem fio que estão em uso.
Mas por que a indústria dos computadores não cria um teste padronizado para avaliar as baterias? Na verdade, ela já o fez. Esses números de "até x horas" são resultados de uma série de testes chamada MobileMark 2007. O teste tem alguns problemas, como a identidade de seu inventor: a Bapco (Corporação de Performance de Aplicativos para Empresas), grupo comercial liderado pela Intel e integrado por fabricantes de laptops e chips.
Ou seja, é um quadro de referência desenvolvido exatamente pelas empresas que vão lucrar se o tempo de funcionamento das baterias parecer bom. Outro problema: o protocolo de testes MobileMark não reflete o uso dos laptops em condições reais. Considere-se a tela, por exemplo. É o componente do laptop que mais consome energia, de modo que é importante especificar o brilho dela enquanto você faz seu teste.
O MobileMark especifica que a tela está em 60 nits (unidade de medição de brilho). No entanto, quando estão em seu brilho total, as telas dos laptops modernos liberam de 250 a 300 nits.
A empresa Advanced Micro Devices sugere ao setor de laptops um padrão de referência mais realista para os aparelhos, num estilo semelhante ao usado em celulares, iPods e automóveis. Ela propõe a adoção de um novo logotipo que anuncie da seguinte forma: "2,30 horas em modo ativo/4 horas em modo inativo", por exemplo. A AMD, no entanto, revela que vem topando com "resistência considerável" das grandes empresas do setor para implementar o projeto.

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