terça-feira, 27 de janeiro de 2009

O fim do IPv4

Reflexões de um cachorro louco: Até 31/12/2009, adeus, NAT
Publicado em 14/11/2008 às 17:18

Origem: http://www.linuxnewmedia.com.br/noticia/reflexoes_de_um_cachorro_louco_ate_31_12_2009_adeus_nat

Por Jon ‘maddog’ Hall

Hoje em dia, quem não sabe que estão acabando os endereços IPv4 deve estar vivendo numa caverna. Os alertas e pedidos da comunidade da Internet para a adoção do IPv6 já evoluíram de “avisos” para “pânico” e para “já está quase tarde demais”. Mas enquanto a questão final talvez tenha que ser resolvida “na marra” pelo fim dos IPs, encontrei mais alguns motivos para eu (e outros) fazer logo a mudança.

Tenho observado questões duplas com Internet móvel e consumo de energia. Em diversos aspectos está surgindo um culpado, e seu nome é IPv4.

Por favor, não me interpretem mal. O IPv4 é meu amigo há muitos, muitos anos. Ele me serviu fielmente durante vários anos na DEC e depois, mas está ficando um pouco mais que inconveniente.

Comecei a questionar meu relacionamento com o IPv4 quando pensei em expandir meu uso de VoIP para um telefone de verdade. Uso VoIP há bastante tempo pelo computador. O IPv4 nesses casos não tem problema, já que raramente ando por aí com meu headset, carregando o laptop nos braços. Apesar de ter que me conectar a um servidor externo e esperar alguém “fazer login” já ser um pouco irritante, eu adoraria contactar diretamente as pessoas e seus dispositivos se eu já soubesse seu “número de telefone”.

Porém, ao levar o meu headset por aí, posso me mover de uma sub-rede para outra, e é aí que minha relação com o IPv4 começa a terminar. O IPv4 tem problemas para passar de uma sub-rede para outra.

Eu não culpo os criadores do IPv4 por esse pequeno problema. Não estava a cargo deles prever computadores mais poderosos que um PDP-11 ou mesmo mainframes que poderiam ser carregados nas mãos, alimentados por baterias do tamanho de nozes enquanto beberíamos nossa bebida preferida num café. Eles também não esperavam baixar arquivos com gigabytes de tamanho para um telefone enquanto caminhavam pela rua. Na verdade, outro problema do IPv4, o espaço de endereços, é um sinal de que a Internet teve muito mais sucesso do que se previa... requerer múltiplos bilhões de endereços e a liberdade de atribuí-los conforme necessário. Como eu disse, eu e o IPv4 somos amigos há muito tempo, mas a amizade está enfraquecendo...

O IPv6 móvel permitiria que o sistema (seja um notebook ou um celular) mantivesse a conexão ao longo de diferentes sub-redes. A tecnologia já existe, há implementações livres em código aberto e o IPv6 grita para nós o implementarmos na telefonia.

Outra questão da minha amizade com o IPv4 é o NAT. Não estou falando do Nat Friedman, meu amigo de muitos anos e co-fundador da Ximian, mas o Network Address Translation. Ele é uma gambiarra bonitinha para permitir que muitos mais endereços se encaixem num espaço de endereços já lotado, e virtualmente elimina a possibilidade de um verdadeiro peer-to-peer que o IPv6 permitiria.

Eu quero de verdade que as minhas máquinas (todas elas) tenham endereços reais e únicos, e também uma forma de serem encontradas enquanto se movem. O IPv6 móvel permite isso, E eu consigo “encontrar” meu sistema sem usar um servidor centralizado (e talvez sobrecarregado) que mapeia meu endereço IPv4 para o mundo real. De repente a “transparência com NAT” deixa de ser um problema, pois não tenho mais que me ”esconder” atrás de um NAT.

A segurança de telefones celulares também é um problema. Sim, o IPv4 pode oferecer segurança, mas ela foi melhorada no IPv6 e nós deveríamos nos beneficiar disso.

Contudo, o verdadeiro fator-chave foram minhas idéias recentes com relação ao gasto de energia em dispositivos MID. Parece que o NAT requer o envio de um sinal de keep alive a cada 40 a 120 segundos. Isso significa, no mínimo, que é preciso ocorrer uma transmissão para manter o endereço e a conexão vivos. Dependendo da profundidade com que a pilha de rede tenha que ser iniciada, pode ser necessário acordar uma CPU suspensa por um tempo longo o suficiente para enviar o pacote “keep alive”, aumentando o tráfego de rede e reduzindo a duração da bateria. O IPv6 não precisa disso, e já vi estimativas de até 20 por cento de aumento da duração da bateria em sistemas suspensos, como um telefone usando VoIP sobre Wi-Fi com IPv6.

Agora, o desafio:

Pretendo me livrar do IPv4 até o final de 2009. Vou averiguar cada sistema e dispositivo que tenho e me assegurar de que eles estejam usando IPv6. Vou testar todos os aplicativos que eu uso e garantir que eles consigam navegar em endereços IPv6. Quando encontrar um problema, tentarei remediá-lo. Note que essa não é uma atitude de pressa. Estou dando bastante tempo para isso... um ano inteiro (mais um pouco). Até 31 de dezembro de 2009 estarei “NAT free”.

Quer dizer, exceto pelo meu amigo, o Sr. Friedman.
Referências:
Linux New Media Editora do Brasil
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