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terça-feira, 5 de junho de 2018

Segurança - E se os hackers se juntassem aos caminhoneiros?

Cibercriminosos podem ter um poder igual ou superior, mas sem precisar nem mesmo sair do quarto para fechar o tráfego nas rodovias ou interromper o fornecimento de bens essenciais



Estava começando a escrever este artigo quando explodiu a greve dos caminhoneiros. Em 4 dias o Brasil virou um caos. Postos sem combustível, farmácias e hospitais sem medicamentos, supermercados sem alimentos, falta de água, estradas bloqueadas, portos parados, consumidores em pânico, um efeito em cascata que construiu rapidamente um cenário comparado a períodos pré-guerra. Em um país onde impera o modelo rodoviário, os motoristas conseguiram provar que têm força para colocar em risco a segurança nacional, precisando de menos de uma semana para ocasionar uma crise de abastecimento de grandes proporções.

Agora, imagine o que aconteceria no caso de um ataque cibernético a um país onde todos os setores – indústria, serviços, comércio, mercado financeiro, o governo, as Forças Armadas – são dependentes da Internet, como já são as maiores potências mundiais. O próprio Brasil, mesmo não sendo uma nação desenvolvida, sofreria um forte impacto econômico se tivesse suas redes de comunicação interrompidas por um malware qualquer.

Um hacker pode ter um poder igual ou superior aos caminhoneiros, mas sem precisar nem mesmo sair do quarto para fechar o tráfego nas rodovias ou interromper o fornecimento de bens essenciais.

Já pensou sua casa sem conexão? Sua empresa? O mercadinho da esquina? Seu banco? E se programadores inimigos conseguissem interromper serviços de infraestrutura, como fornecimento de energia, água e transportes? Reparou o quanto a Internet já se tornou um recurso tão indispensável quanto a gasolina, que criou um surto coletivo e filas intermináveis?

A verdade é que as fronteiras não estão mais delimitadas apenas geograficamente e protegidas por tanques e fuzis. A segurança de um país está agora também, e diria principalmente, na nuvem, transformando sistemas estratégicos e dados confidenciais pessoais e de empresas públicas e privadas em alvos fáceis para causar um grande estrago equivalente a um míssil disparado contra Itaipu.

Há analistas que não acreditam em uma guerra mundial travada no ciberespaço, mas não faltam motivos para prever a formação de exércitos com soldados especialistas em invadir sistemas que podem até ser considerados seguros, mas estão longe de ser invioláveis.

Enquanto o mundo se preocupa com a guerra nuclear, uma das grandes ameaças vem justamente da Coreia do Norte. Pyongyang vem fazendo pesados investimentos para aprimorar sua força em ciberataques, direcionando de 10% a 20% do orçamento militar para área.

O país, a propósito, foi acusado pela autoria dos ataques mais audaciosos dos últimos anos, como contra a Sony, em 2014, quando os servidores da empresa foram derrubados e filmes e dados dos funcionários foram vazados às vésperas do lançamento de uma comédia cujo roteiro era um plano para assassinar o ditador Kim Jong Un, e a contaminação do WannaCry, que afetou milhões de computadores em todo mundo. A solução para o ataque foi encontrada por um jovem de 22 anos, que descobriu que o ransomware estava associado a um domínio específico que não estava registrado. Ele comprou o domínio e o vírus parou de se espalhar.

Ciberguerra


A empresa de segurança cibernética FireEye informou ter detectado e impedido um ataque a uma companhia americana de energia que teria sido planejado por pessoas ligadas ao governo norte-coreano, que, segundo a mesma empresa, estruturou desde 2012 um grupo de ciberespiões com o objetivo de investigar a Coreia do Sul.

Do outro lado da trincheira, os países com maior poderio para ataques cibernéticos são, claro, a Rússia e os Estados Unidos (Trump acaba de anunciar o cancelamento do encontro com o líder norte-coreano), além da China, Irã, Índia, Alemanha e Japão. Segundo relatório da Symantec, o Brasil é o país mais ameaçador da América Latina e o sétimo no mundo.

Mas será que o perigo está apenas na cyberwar? É bom você se proteger porque não, não está. O risco está logo aí, na sua frente, no PC ou smartphone em que está lendo este texto, na sua SmartTV, nas suas câmeras de segurança, no seu carro, na geladeira, em qualquer device conectado.

Com a evolução da Internet das Coisas e da rede 5G de altíssima velocidade, ficaremos cada vez (ainda) mais conectados. E os principais responsáveis pela vulnerabilidade aos ataques cibernéticos continuarão sendo nós mesmos, os humanos. O próprio Trump, presidente da nação mais poderosa do mundo, se recusou a jogar fora o celular que usa para postar seus tuítes, preferindo o risco de ser hackeado ao abrir mão do conforto de usar seu telefone pessoal.

Você tapa sua webcam com uma fita adesiva como faz Mark Zuckerberg? Qual foi a última vez que atualizou seu antivírus? Já clicou alguma vez em um link suspeito e infectou seu PC com um vírus? Usa caracteres especiais e muda suas senhas com frequência? Tem senhas diferentes ou usa sempre a mesma em vários sites?

Garanto que são poucos os que realmente seguem à risca as medidas de segurança do mundo virtual. O risco é todo seu. Lembre-se que estamos sendo vigiados. O tempo todo. Em qualquer lugar. Nas redes sociais, no email, nos aplicativos, nas câmeras de segurança, em tudo que está conectado na Internet capturando informações sobre quem somos, o que consumimos, como vivemos, quem admiramos e quem odiamos.

Ninguém está livre de ter seus dados pessoais roubados e usados contra si próprio.

No mês passado, eu mesmo fui vítima de um ataque de SIM SWAP. Meu telefone simplesmente perdeu o sinal da operadora e 10 minutos depois foram realizadas duas transferências na minha conta bancária utilizando minha senha de débito. Pelo fato de usar dois celulares, rapidamente pude perceber o ataque e alertar o banco. Tomamos as medidas para resolver o problema e tudo acabou bem. Há várias dicas na Internet de como se proteger de um ataque deste tipo.

Já pensou se o Governo decidisse expor em outdoors e telões espalhados na cidade as fotos e dados pessoais de cidadãos com dívidas, como forma de coagi-los a pagar seus credores? Pois foi justamente o que aconteceu este mês no distrito de Shusahn, na província chinesa de Anhui. Mais de 100 pessoas foram apresentadas como caloteiras pela campanha, que além das fotos informou números de identidade, o quanto devem e outras informações pessoais.

Privacidade e segurança


O Big Brother chinês supera todos os limites. O país lançou seu sistema de “crédito social”, que classifica os cidadãos e impõe punições aos infratores. As ruas das principais cidades do país têm nada menos que 170 milhões de câmeras ligadas 24X7 para espionar e escanear qualquer pessoa. Quem atravessa fora da faixa, compra produtos de outros países ou burla o fisco pode ser multado e proibido de viajar de trem ou de avião, alugar uma casa ou conseguir empréstimo.

Preocupadas com a segurança do ciberespaço mundial e lideradas pela Microsoft e o Facebook, mais de 30 gigantes da tecnologia assinaram uma espécie de Convenção Digital de Genebra para estabelecer princípios relacionados à segurança digital, como não apoiar nenhum Governo, incluindo os Estados Unidos, a realizar ciberataques contra civis inocentes e empresas. Vale o registro, Google, Apple e Amazon, entre outras, se recusaram até o momento a assinar o tratado.

A falta de segurança na nossa vida digital não afeta somente nossa privacidade. Os cibercriminosos se tornam mais e mais criativos para sequestrar dados e chantagear suas vítimas. Um luxuoso hotel na Áustria foi obrigado a pagar 2 bitcoins, na época 1,8 mil dólares, a hackers que conseguiram bloquear o sistema de chaves eletrônicas, impedindo o acesso dos hóspedes aos quartos. Em novembro passado, hackers acessaram dados de 57 milhões de motoristas e passageiros do Uber e exigiram, segundo apurou a Bloomberg, US$ 100 mil para apagar as informações.

Outros hackers preferem apenas se divertir com molecagens, como o que invadiu o YouTube e apagou o clip de Despacito, o vídeo mais visto na rede social com mais de 5 bilhões de acessos. Já imaginou o prejuízo para o artista Luis Fonsi e sua gravadora? Quem você gostaria que sumisse do espaço virtual pra sempre?

Se acha que o máximo que pode acontecer é o vídeo da Anita desaparecer ou sua conta bancária ser invadida, Yuval Noah Harari, professor da Universidade Hebraica de Jerusalém e autor dos best sellers Homo Deus e Sapiens – Uma Breve História da Humanidade, vai mais longe. O futurólogo acredita que quando a inteligência artificial e a ciência do cérebro trabalharem juntas poderemos hackear os seres humanos e nos tornaremos imortais.

Será que um dia iremos brincar de ser Deus? Bem, enquanto não chegamos lá, sugiro que os governantes se preocupem com os caminhoneiros e, alerta dado, com os hackers. Já imaginou se eles resolvem se juntar?

* Omarson Costa é formado em Análise de Sistemas e Marketing, tem MBA e especialização em Direito em Telecomunicações
fonte: http://www.securityreport.com.br/overview/e-se-os-hackers-se-juntassem-aos-caminhoneiros/

segunda-feira, 4 de junho de 2018

Segurança - Como as criptomoedas estão moldando o atual ambiente de ameaças

Vantagens como a privacidade as tornam ideais para possibilitar pagamentos que não podem ser rastreados até o agente malicioso responsável pela infecção



A criptomoeda tem se tornado uma maneira cada vez mais popular de dar suporte às transações digitais. Desde a sua criação, os usuários descobriram uma variedade de maneiras de tirar vantagem da moeda eletrônica, incluindo estratégias de mineração e carteiras digitais.

O crescimento no interesse do uso da criptomoeda ajudou a impulsionar o valor das moedas digitais. No momento em que este texto foi escrito, o preço de mercado da Bitcoin estava acima de US$ 9.450, com um volume de mercado de mais de US$ 8,5 milhões, embora o valor tenha oscilado muito nos últimos meses.

Ao mesmo tempo, no entanto, uma moeda digital que era irrastreável e não vinculada a nenhuma organização bancária específica, atraiu consideravelmente os cibercriminosos. Dessa maneira, além dos usos legítimos, o uso malicioso da criptomoeda está moldando o atual ambiente de ameaças.

O atrativo da criptomoeda


Muitos consideram 2017 como o ano em que a criptomoeda quebrou barreiras e tornou-se popular: no entanto, a Bitcoin e outros tipos de criptomoedas, representam há muitos anos, a principal força por trás do conceito de blockchain. Um grande diferenciador entre a criptomoeda e outras transações digitais é o fato que as moedas como a Bitcoin não exigem a verificação ou o suporte de um banco central ou provedor de serviço financeiro.

“Ao invés disso, é utilizada a criptografia para confirmar as transações em um livro-razão público chamado de blockchain, assim possibilitando os pagamentos entre pares”, assim explicado por Adam Levy, colaborador do The Motley Fool. A criptomoeda oferece inúmeros benefícios para usuários comuns: incluindo transações digitais mais simples e maior privacidade. Esse mesmo tipo de vantagem, infelizmente, trabalha a favor dos hackers, que enxergam as criptomoedas como o elemento ideal para dar suporte às infecções maliciosas, como o ransomware.

Vantagens como a privacidade, as tornam ideais para possibilitar pagamentos que não podem ser rastreados até o agente malicioso responsável pela infecção – e é assim que os cibercriminosos tiram vantagem da criptomoeda.

O pagamento feito sem um intermediário (como um banco ou uma empresa de cartão de crédito), permite aos autores de ciberataques um elevado nível de anonimato.

Ataques às carteiras digitais


Um dos melhores exemplos da influência da criptomoeda no atual ambiente de ameaças, tem conexão com a enorme onda de ataques ransomware que vem acontecendo nos últimos anos.

Estes ataques incluem a forte criptografia para bloquear o acesso do usuário legítimo, assim como um pedido de resgate exigindo pagamento na forma de uma criptomoeda irrastreável para a chave de decodificação.

O bitcoin e a criptomoeda, levaram assim, ao aumento significante e sucesso contínuo das infecções maliciosas por ransomware. Os hackers já começaram até mesmo a reaproveitar ransomwares antigos, como o Cerver, para incluir novas capacidades maliciosas centradas na criptomoeda.

A versão recente permite que o ransomware ataque as carteiras de bitcoin, além de criptografar e bloquear o acesso aos arquivos. Ataques às carteiras de criptomoedas conduzidos por ransomwares, são mais uma das tentativas de invadir os depósitos de criptomoeda das vítimas.

Invasão de sites: atacantes se aproveitam de vulnerabilidades


Os atacantes aproveitam também de sites populares e com bastante acesso para infectar as máquinas de vítimas. Sejam vulnerabilidades no código fonte do site ou da aplicação Web em si: uma vez descoberta a brecha, a exploração acontece por meio da injeção de códigos maliciosos em JavaScript.

Um exemplo são os recentes ataques ocorridos em WordPress e Drupal, duas das maiores plataformas de gerenciamento de conteúdo da web do mundo. Usadas em mais de um bilhão de sites, possibilitaram que uma série de sites fossem hackeados, além dos códigos para mineração de criptomoedas injetados.

No caso da plataforma Drupal, nas versões 6, 7 e 8, patches de correção que não forem aplicados, podem permitir que um invasor não autenticado explore vetores de ataque em um site e o comprometa totalmente.

Mineração de criptomoeda: chegada aos dispositivos móveis


Os hackers tentaram até mesmo trazer as capacidades de mineração de criptomoeda para o ambiente de malware móvel. Em outubro de 2017, a Trend Micro descobriu diversos aplicativos maliciosos de mineração de criptomoeda na loja de aplicativos do Google Play.  Estes aplicativos se aproveitam da CPU do dispositivo da vítima para atividades de mineração que beneficiam o hacker.

Embora o uso das moedas digitais esteja cada vez mais disseminado, a tecnologia por trás das moedas criptografadas – blockchain – não está imune a riscos. Mas uma coisa é certa: as moedas eletrônicas vieram para ficar. Só resta saber quem serão os maiores beneficiados.

* Renato Santos é especialista em Segurança da Informação da Trend Micro
fonte: http://www.securityreport.com.br/overview/como-as-criptomoedas-estao-moldando-o-atual-ambiente-de-ameacas/

domingo, 3 de junho de 2018

What´s your IP - e muitas outras coisas.

http://www.moo0.com/webapp/YourIP/